PROBEMAS SACERDOTALES DESDE LA DIMENSIÓN HUMANA
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IDENTIFICAR LOS PRINCIPALES PROBLEMAS

QUE EXPERIMENTAN LOS PRESBÍTEROS

DESDE LA DIMENSIÓN HUMANA

Mons. Anuar Battisti

Levanta marcos para ti, coloca indicadores no caminho,

presta atenção ao percurso, ao caminho por onde andares” (Jr 31,21)

Esta pequena reflexão é fruto de uma pesquisa (consulta) a um grupo de trinta sacerdotes de várias regiões do Brasil, que participaram do 11ª Encontro Nacional de Presbíteros. Perguntados sobre os desafios e perspectivas do ministério presbiteral a partir da Dimensão Humana, responderam:

  1. O Seminário precisa oferecer uma visão integral da afetividade e sexualidade. Formar para uma vida de sacrifício, e aberta para a doação gratuita. Em muitos casos se observa uma carência forte na formação e preparação para o celibato. Se observa a existência de uma mentalidade em não considerar o Presbítero como pessoa, com sentimentos e desejos, valorizando sim mais a instituição.

Outra lacuna é a formação permanente para a vivência do Ministério e o próprio carisma do celibato. Viver o celibato como valor e elemento integrador da vida afetiva do Presbítero.

  1. Dificuldade em manter o equilíbrio humano-afetivo numa sociedade consumista, mercantilista, hedonista, marcada pela banalização das relações e exacerbação do sexo por uma cultura erotizada e apelativa, que influencia e causa insegurança nos Presbíteros. Na mesma direção o Presbítero é desafiado pelas mudanças e transformações da sociedade globalizada, midiática.
  1. Outro problema enfrentado pelos Presbíteros é a forte presença do homossexualismo na sociedade e no clero. Falta transparência e valorização dos valores éticos e morais. O relativismo social afetou diretamente a vida dos presbíteros. Os escândalos sexuais têm causado na Igreja e nos presbíteros um enorme descrédito por parte do povo de Deus e da Sociedade. Por isso cai sobre todos nós a pergunta: Como recuperar a credibilidade da Igreja neste contexto dos escândalos sexuais? Um problema grande é a falta de uma espiritualidade para o presbítero diocesano, encarnada na realidade, marcada pelo discipulado e fecundado na pessoa de Jesus, amado e bom pastor. O ativismo leva à infidelidade aos deveres de estado, a oração, meditação, confirmação pessoal, direção espiritual... O aburguesamento tem levado muitos presbíteros a um estilo de vida anti-evangélica e de minimização do próprio ministério.

Algumas perspectivas a partir da Dimensão Humana

  1. Repensar o modelo de formação presbiteral onde o formando seja sujeito e protagonista da sua formação inicial e permanente.
  2. Enfrentar com coragem os temas da formação humana afetiva e sexual desde a etapa inicial da formação, tratando sem preconceitos ou tabus.
  3. Orientar a formação para um estilo de  Seminário inserido na vida da comunidade eclesial. Abertura ao novo e acolhimento do diferente deve ser uma característica do Seminário e do futuro Presbítero.
  4. Aproveitar melhor os recursos das ciências (psicologia, antropologia, sociologia) enriquecendo com a dimensão mística da fé.
  5. Planejar a formação a partir de uma moral positiva, como a beleza do amor e da gratuidade.
  6. Criar e fortalecer a Pastoral Presbiteral como caminho para evitar o individualismo, promover a partilha de vida e atividades, integrando e fortalecendo a fraternidade Presbiteral.
  7. Reaviver a espiritualidade, mística do Presbítero Diocesano a partir da caridade pastoral, na dedicação de servidor da comunidade e modelo de discípulo.
  8. Fortalecer a experiência de “grupos de vida” no seminário afim de que haja uma continuidade na vida de Presbítero, proporcionando assim a convivência fraterna e evitando o individualismo.
  9. Reaviver a mística presbiteral, tendo como modelo Cristo, Bom Pastor. Inspirar-se na fortaleza e humanidade dos “Padres do deserto”, fazendo crescer o espírito orante.
  10. Criar espaço e condições para o diálogo, entre os presbíteros e dos presbíteros com o bispo, especialmente nos momentos de crise.
  11. Usar as ciências e terapias alternativas como apoio ao processo de maturidade humano-afetivo dentro do programa de formação permanente.
  12. Assumir com caridade e franqueza os casos dolorosos, oferecendo oportunidade para a reabilitação em centros especializados.
  13. Olhar dos bispos para seus formandos e presbíteros, como ovelhas que precisam de pastor que as ame, que as cuide nos momentos de glória e de dor.

Na contemplação do Ministério Presbiteral e pessoa do Presbítero mostro algunos desafios apresentados pelo psicólogo Padre Edênio Valle, ao presbítero neste tempo de mudanças:

  1. Antes de buscar segurança no seu status ou atrás de sinais exteriores de autoridade, busque uma vivência genuína da sua fé, que é chamado a partilhar com a comunidade, sendo para ela referência de autenticidade;
  2. Antes de se fechar no ativismo ou de buscar simplesmente salvar sua própria saúde e seu bem-estar, organize seu tempo e seus interesses de tal forma que permaneça aberto às pessoas, aos jovens, aos novos questionamentos da época em que estamos vivendo;
  3. Antes de se limitar a manter um relacionamento de subordinação ao bispo e de autoridade “sobre” os fiéis, antes de manter relações apenas formais ou superficiais com os colegas, descubra a riqueza das relações fraternas, adultas, com outros padres e com leigos e leigas; não faça dos colaboradores apenas empregados ou “meninos de recado”, mas se relacione com eles como com pessoas com quem pode viver um diálogo respeitoso e crítico e uma amizade verdadeira;
  4. Assim poderá efetivamente seguir a Jesus, imitá-lo em suas atitudes, ter a sua ternura para com as pessoas, e fazer a experiência da “generatividade”, da fecundidade espiritual e afetiva; lançará sementes, não apenas de flores, que “passa o vento e já não existem mais” (Sl 103,15), mas de árvores e de pessoas;
  5. Antes de fazer de seu ministério apenas um desempenho profissional cuidadoso e competente, faça dele realmente a realização da sua vida, sem se esvaziar no cardo de “funcionário de Deus”, mas indo sempre além na busca da comunhão com os outros e o Outro;
  6. Sem se decepcionar com os obstáculos próximos e imediatos, sem olhar apenas miopemente para eles, levante seu olhar para a colheita futura, o horizonte do Reino de Deus, e tenha a paciência histórica do agricultor que semeia, rega, aduba, cuida, para conseguir o resultado. (Valle, Edênio e outros; Padre, você é feliz? Loyola, 2004.)

CONCLUSÃO

Como conclusão retomo uma breve reflexão de Maria Clara Lucchetti Bingemer, teóloga brasileira, que ao analisar o perfil do Padre e a sua identidade conclui: “Os padres são seres misteriosos por vários motivos.

Em primeiro lugar porque intrigam as pessoas. Em uma sociedade do lucro, do sucesso e do erotismo como é a nossa, é algo esperado que escandalize boa parte das pessoas o fato de que alguém saudável e inteligente escolha um caminho de vida baseado na pobreza, na humildade, na castidade e no serviço. Neste sentido, o padre, talvez hoje mais que nunca, é sinal de contradição. É misterioso, neste sentido, porque é diferente; porque ninguém entende bem o por quê de sua vocação e sua missão. E a nosso ver, é altamente positivo que assim seja. O seguimento de Jesus Cristo promete ser sinal de escândalo e estranhamento para todos. Os padres, que desejam configurar-se a Cristo, não poderiam estar fora de tal situação.

Por outro lado, o padre é um ser misterioso, porque seu segredo está no mistério de salvação que dá vida ao mundo: o próprio mistério de Deus revelado em Jesus Cristo e confirmado a cada passo e a cada momento por seu Espírito, que habita em cada um de nós, que preside e dirige a Igreja e que foi derramado sobre toda história e toda carne. O padre é alguém especialmente chamado, juntamente com todos os batizados, a dar testemunho deste mistério, que é o sentido maior e a mola propulsora de sua vida de serviço e relação. Homem que administra os mistérios divinos, o padre é ou deve ser alguém que deles vive. Se assim não for, seu sacerdócio não poderá realizá-lo e seu serviço não levará a bom porto o povo que lhe foi confiado.” (Medeiros, Kátia Maria e Fernandes, Silvia Regina; O Padre no Brasil: interpelações, dilemas e esperanças, Loyola, 2005.)

(tomado de Esprit, junio 2008)